sábado, 26 de abril de 2025

- A certeza do fim


Sentia aquele gosto familiar, um dos favoritos no mundo, até o momento.

E a vida sempre se mostrou pra mim em lugares simples. 
Uma lua no céu ao fim de um dia de trabalho, um entardecer entre os prédios, um breve encontro que parece uma dança ensaiada...

Enquanto eu jurava amor eterno, e dizia ser possível viver apenas com aquilo pro resto da vida, me peguei pensando na brevidade das coisas.

Um dia isto não existirá mais, esta loja não estará mais aqui, você não vai mais ouvir essa voz, talvez você nunca mais vá aquele lugar, não possa mais sentir o sabor, o calor.
Lembrei dos lugares que não vou mais, das vozes que se calaram, do gosto que não é mais o mesmo.

Pensei que então eu deveria aproveitar todas as oportunidades, estar viva sempre que possível, pois tudo aqui é muito breve, e olhando do futuro, os anos são sopros.

Espero poder continuar vendo a lua despontar no céu e que o entardecer alaranjado do Rio de Janeiro ainda aqueça meu coração.

- Normal

Eu bebi com o pessoal do trabalho...

31 anos...

Eu pensei que eu saberia o que tô fazendo, da vida, não do dia. 

A gente bebeu e fumou 1 na frente do fofoqueiro mais conservador da empresa... mas como meu chefe falou, a única pessoa que importa é a minha mãe.


Eu tô sentada no metro e vagou o lugar pra um cara sentar ao lado do filho, o moleque deve ter uns 7 anos. Não tão criança, mas não com tantas certezas...

Ele faz cócegas no filho por umas 5 estações,  sem cansar... quem ele quer enganar?

Ninguém? É só como um pai deveria ser?

Ele começa a me fazer pensar em ter filhos, 

Será que isso não é o normal? Ideal?


Ele me olha pelo vidro escuro da janela do metro,

Quase como quem lê meus pensamentos...

Ele lê. Ele sabe o que eu tô pensando e me encara por 1 segundo, como se me dissesse um parágrafo completo.

Eu te odeio.

Porque você tá certo.

Filho da puta pretensioso.


*Texto escrito em 2023.


sábado, 21 de outubro de 2023

- 13 anos em 22 de outubro de 2023

Eu nasci e não podia enxergar, era muito nova, mal sabia caminhar e me colocaram fones de ouvido, tocando músicas de adultos e eu mal havia escutado o real som das coisas. Elas me diziam como eu deveria me comportar e o que era certo, mas nem sempre eu acreditava. Apesar de ter apenas 13 anos, eu era inteligente, mas só depois eu percebi que muita coisa passou e eu não havia entendido. Eu só tinha 13 anos e precisei dançar a dança dos adultos, que mais parecia um eterno jogo de xadrez. Talvez só 18 anos depois eu esteja de fato entendendo o que todo aquele ruído significou, talvez somente agora, nesta noite de 22 de outubro. 



sexta-feira, 14 de julho de 2023

- Somente eu

Fazem 16 graus lá fora e eu bebi uma garrafa de carménère

Fiquei sem sono apesar de ser sexta

Fui tomar banho apenas pra dormir

Mas banho quente é muito bom, né?

Melhor do que podia imaginar, tomar banho já não era uma necessidade, era uma sensação 

Água quente esquentando meu corpo

Pensei em como poderia melhorar este momento...

E se eu jogar óleo no meu corpo todo?

Ao invés de me secar, continuar na água quente?

Bom...

O cheiro de flor de baunilha preenche o ambiente

Muito bom sentir minha pele, muito bom minhas mãos massagearem meu próprio corpo 

Muito bom...

Eu posso fazer qualquer coisa por mim

Incrível sentir prazer em mim.


quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

- Fermentação

Frases e mais frases apagadas. Eu não consigo escrever sobre você. São enormes sentimentos embolados dentro de mim, eu quero falar, quero que me ouçam, quero me ouvir. Mas eu sempre escolho a solidão para chorar, quando ninguém mais vê, eu solto tudo, quase explode.

Superar...
É o que eu mais penso e escuto. Me questiono quando irei. Já fazem meses,  e começo aceitar que talvez eu nunca supere.  Isso me apavora, percebo que não sei de nada, e você sempre soube. Existir não é fácil.

Eu sinto como se fosse rasgar. Rasgar com o peso dos meus pensamentos, como uma bexiga cheia d'água. Pensamentos fermentados, crescendo e crescendo mais, mais. Queria rasgar, explodir, que se foda. Não aguento o peso, me sufoca, me tira o sono, o rumo... caminho por lugares que nunca caminhei, ou talvez só não tivesse coragem de admitir. Eu queria você aqui porra!

Te mando mensagens sempre, hipocritamente, mais do que antes. Qual é a porra do meu problema? 10 meses sem você e isso é tudo que consigo escrever? Só agora? 

Eu preferia explodir.
Talvez eu precise.

sábado, 9 de maio de 2020

- Alguém vivendo a vida minha vida

Existem questões que a gente não ilumina, porque não queremos ter clareza sobre elas. Elas doem e a gente sabe, mesmo sem nunca enfrentar.
Daí entramos na nossa zona de conforto, fingindo não ver, fugindo de nós mesmos. 
E onde isso nos leva? Acredito que lugar nenhum, e não vejo sentido em viver cada dia, aceitando ser a mesma pessoa de sempre. Meu objetivo aqui é o contrário, quero evoluir como pessoa, e isso inevitavelmente me fará trazer à luz minhas questões que demonstram o quão pequena eu sou, questões essas que fazem eu me sentir como a criança que chorava sentada à porta, trancada sozinha em casa, que eu lembro ter sido um dia.

Esse ato pode causar uma desestabilização na autoestima, mas do que adianta ter uma autoestima equilibrada em falsos pilares? É mexer no que temos de mais íntimo, onde não deixamos ninguém entrar, e cá estou, trazendo isso de dentro, para público, não só à luz dos meus pensamentos.


Há tempos eu acompanho uma menina, e toda vez que vejo uma atualização sobre a vida dela, me sobe uma raiva...
Já senti muito esse sentimento ao longo da vida, e nunca o confrontei.

Diversas vezes eu me sentia mal pela falta de privilégios que tive. Em comparação ao meu círculo de amigos, tive uma infância bem pobre. Isso fez com que eu não conseguisse enxergar meus privilégios por muito tempo. Hoje sei disso, e estou sempre me questionando, tentando enxergar meus privilégios, mesmo quando não são tão claros.
Já não tenho mais a vida humilde que eu tinha.
Não posso mais justificar minha raiva, ao ver o que a tal menina faz com a própria vida. Demorei pra aceitar, mas resolvi confrontar essa questão, há tanto sufocada por mim.

Então eu trouxe.

E percebi que me irrito, não por ela tentar e conseguir fazer coisas que eu sonho, não é ela o problema, nunca foi.
O problema é a minha incapacidade de dar o passo, de ter a coragem.
Eu poderia fazer o que quisesse, se seria bom ou não, só a tentativa poderia dizer. Mas eu permaneço aqui, com um monte de achismos, com raiva, com inveja. Por mais que me doa, é isso, inveja, não da vida, mas da coragem, do desprendimento de julgamentos.

Não serei injusta comigo, sei que muito do que me impede remete à depressão que não me larga, por mais que eu melhore. Consigo viver minha vida desde que eu não me veja vivendo ela, quando eu me vejo, eu odeio. 
Mas tanta gente me ama e me acha legal, o que tem de errado então?

Sigo aqui com a sensação de que estão vivendo a minha vida, sem me dar conta de que essa vida não é minha. Afinal, apenas o que estou vivendo é meu, somente isso.
Deveria então, olhar para toda maravilhosa vivência que eu tive até aqui, com um pouco mais de admiração? 
Deveria eu, parar de olhar as redes sociais e olhar pra esse blog, ou para as longas conversas com meus amigos? 
Devo olhar para a mulher que me tornei, enxergando não só os privilégios, mas também as conquistas, que só eu conheço a dimensão?
Sei a resposta dessas perguntas, mas não sei se é o suficiente para sair do buraco.

No fim acho que existem muitas questões entrelaçadas, como "a felicidade só é real quando compartilhada" e a minha claramente não é, "a grama do vizinho é sempre mais verde", e a dificuldade de amar a minha imagem. Coisas que demandarão muita reflexão, a fim de tentar resolver.

E essa vida, felizmente, só eu posso viver.

sábado, 24 de agosto de 2019

- Ansiedades

Acordei às 3 da manhã, não consegui mais dormir. Talvez eu já não durma bem há tempos, durmo por muitas horas e sempre estou cansada. 
Eu sei o motivo, sei que meu corpo fica tenso o dia todo, que meu esforço físico é maior do que parece.

Durante a pior época da depressão, sempre convivi com uma forte ansiedade. Mas foi um período turvo, minha ansiedade se resumia a meus relacionamentos e a forma como as pessoas me viam. Acredito que tinham outras razões, mas nunca consegui identificar. 


Agora eu vejo a ansiedade de forma mais clara, percebo as questões que me fazem não conseguir relaxar. O problema disso é que quase tudo tem sido motivo. Não sei se estou passando por um período digno de uma produção cinematográfica, ou se a ansiedade me traz uma óptica distorcida dos fatos. Fico com a segunda opção, já que somos amigas de longa data, conheço suas curvas.


O dia amanheceu e desisti de dormir. 

Sentada na janela olhando as nuvens cruzem meu campo de visão, resolvi que era melhor olhar o mar. 
O mar que sempre me fez bem, me ajudou a refletir sobre questões tão importantes e revolucionárias dentro do meu universo. 

Então eu fui colocar meus pés na areia, e tentar me sentir como me sentia no passado. Faz muito tempo que não me sinto livre, o dia a dia é turvo, e eu entendo muito pouco do que está realmente acontecendo. Só vou fazendo o que tem que ser feito, sem pensar muito.


Me senti bem novamente, livre.


Liberdade talvez seja o centro da minha galáxia de ansiedades.

Todas as questões que me doem os ombros estão de alguma forma relacionadas a liberdade. 
O pior é que eu sempre soube, e mesmo assim não foi o suficiente para que eu conseguisse resolver, não sei se há solução, mas precisa haver.

Refleti sobre todas as questões que me afligem enquanto olhava o mar, o céu, a areia, as pessoas vivendo suas vidas e eu não vejo mais sentido em nada disso... 

Mas no fundo eu ainda podia sentir a liberdade que enchia meu coração no final de 2017.
Olhar pro horizonte do mar e pensar no quão grande o mundo é, e que isso aqui não é nada na verdade. 

Se aproxima um homem, achei que ele queria deixar a roupa dele perto de alguém e entrar na água. 

Ele ficou me olhando, desistiu de entrar na água e sentou. 
Eu podia ver ele me olhando.
Resolvi levantar para ir embora, já que não podia ficar com meus pensamentos em paz.
Escuto alguém assoviar, olho pra trás e ele esta indo na minha direção, porém sem me olhar. Só penso em me desvencilhar desse cara.

Será que estou enlouquecendo?



Mais uma ansiedade.

quarta-feira, 22 de maio de 2019

- Os que se alimentam da dor


Preciso muito falar sobre esse assunto, talvez o texto fique grande, mas não posso deixar passar.

Existem pessoas que se alimentam do que está quebrado em você, guarde isso.
Fique claro que quando digo "quebrado" é subjetivo, não significa algo propriamente ruim, e não tenho autoridade ou competência pra dizer o que é certo ou errado. Falo sobre mim e o que estava quebrado na minha vida por muito tempo.

Tenho um amigo da época de escola, lá pelos meus 14 anos. Ele sempre foi cristão praticante, conciliando muito bem com seus gostos musicais mundanos e a fixação pelo mundo nerd, foi inclusive o que nos aproximou. Eu sempre fui uma garota meio quebrada, como já contei várias vezes sobre depressão, e por isso nutria um gosto pela autodestruição. 
Essa autoquíria se desenvolvia de diversas formas, sendo elas a própria mutilação, abuso de drogas (álcool e cigarro), depreciação pessoal pública constante e libertinagem, e aqui no que se refere a libertinagem preciso elucidar:

Não vejo a libertinagem ou promiscuidade como algo condenável, pra mim isso fazia parte de uma "mutilação", pois essa era a sua função. Eu não me relacionava com várias pessoas de forma livre e sem pudor somente por querer. Diversos fatores me levavam a isso, e dentre eles estavam a necessidade de aceitação, carência, crença de que meu papel como mulher era de servidão ao prazer masculino, e no fim me ferir de mais uma forma.

Em nossas conversas, sempre ficou clara essa rebeldia para comigo mesma. Era algo que eu chegava a ter orgulho de expressar. Tinha a sensação de que a minha forma de viver a vida era a correta, me arriscando a buscar todos os prazeres possíveis, sem perceber que era uma doença, que eu era vítima e que na verdade não entendia nada do que estava acontecendo.
Por vezes tentei convencê-lo a se arriscar comigo, e em quase todas ele cedeu. Éramos adolescentes ainda. 

O tempo foi passando, e eu já adulta e ciente da depressão, continuava vivendo uma vida destrutiva, as coisas tinham mudado pra pior, já que ser adulta me permitia fazer o que eu quisesse. 
E foi então que eu comecei a entender.
Ele sempre me procurava de tempos em tempos, e as condições eram sempre as mesmas: Tinha terminado um namoro; dado um tempo; estava afastado da igreja; andava se arriscando. Não demorei pra perceber esses padrões, mas demorei pra aceitar que isso estava acontecendo. Toda vez que essa vontade de se destruir passava, e ele voltava a sua vida normal, eu era excluída ou bloqueada em todas as redes sociais, como se eu fosse algo a se esconder, esquecer. Eu via tudo isso, mas nunca mexeu comigo ao ponto de buscar saber o porquê, afinal eu queria a oportunidade pra me destruir mais uma vez, e isso poderia vir de qualquer pessoa. Mas apesar dessa relação inconstante, acreditava sermos amigos. Até que tivemos nossa última conversa, e tudo ficou claro.

2019 e eu estou melhor. Tenho minhas crises, mas no geral sigo bem, posso dizer que sou feliz. E depois de um ano sem nos falarmos ele veio me procurar. Disse que estava com saudade, que lembrou de mim, que estava arriscando, que "só faltou fumar maconha". Eu entendi. Ele queria minha promiscuidade, minha doença, o eu quebrado. Ainda tô quebrada, mas me preocupo muito mais em consertar do que alimentar essa dor. Então me perguntou como eu estava, e respondi da melhor maneira possível. Falei sobre o quanto estou feliz, sobre tudo que ando fazendo e amo, sobre os vícios que larguei, sobre minhas conquistas, realmente cantei minha vitória, pequena porém muito significativa, e fui respondida da forma como eu já esperava. 
Não houve resposta.

Sobre a foto: Dos que se alimentam da dor.



terça-feira, 30 de abril de 2019

- Qual o sentido da vida?

A depressão me afundou por muitos anos, lembro de achar que não teria fim, já não lembrava como era não conviver com ela, cheguei até a pensar que ela sempre foi presente. Ela trazia consigo  ou talvez fossem pequenas partes que formavam o monstro  questionamentos, muitos deles sobre o sentido da vida. A minha vida não tinha sentido ou direção, eu não sabia porquê estava aqui e o que precisava fazer, até o dia que desisti de tentar entender e aceitei como meu sentido da vida "ser feliz". Simplesmente entendi que deveria fazer tudo que fosse possível para fazer bem a mim, para ser feliz, aproveitar cada momento ao máximo e isso foi libertador.
Ela então foi partindo, mas sempre deixando uma pontinha pra que eu não esquecesse que ela está por aí e que sempre volta, sinto como uma doença sem cura, você alivia, passa a conseguir conviver com ela, mas no menor deslize ela se mostra presente. Entendi que aceitar essa condição não me faz mais fraca, na verdade tenho a sensação de que envelheci ao menos 10 anos nessa história toda. Fiz questionamentos que sozinha talvez eu não fizesse, ela me fez ver que a vida não é só bonita, tirou o filtro dos filmes e novelas, me trouxe a realidade. É bom enxergar a vida pelo lado ruim, é bom olhar através dos olhos de um pessimista de vez em quando.
Agora cheguei a um ponto em que me considero feliz, faço tudo que posso para me agradar, tenho vivido coisas que sempre sonhei. Provei que sou capaz de fazer coisas que eu jurava que não conseguiria e que por muitas vezes discuti para provar que eu realmente era incapaz. Não sou incapaz, e percebi que se eu consegui isso posso conseguir qualquer coisa. Porém retornei a um antigo questionamento: Qual é mesmo o sentido da vida?

Por mais feliz que eu seja agora, nada parece fazer muito sentido e o sentido que encontrei pra minha vida já não satisfaz. 
Será que em algum momento fez? Ou eu só acreditava que fosse por ainda não tê-lo alcançado? 
Será que sou uma criança frustrada descobrindo que alcançar objetivos aqui não significa alcançar a plenitude? Como alcançar a plenitude?
Independente de tudo, acredito que devo viver essa fase, que mais uma vez fará parte do meu amadurecimento. 
Apenas espero que passe.

Sobre a foto: Talvez seja o sentido de alguém, alguns dias é o meu também.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

- Quantos tragos eu quiser

Sempre me falam pra eu parar de fumar, concordo que eu deveria, mas todos os dias quando vou ao terraço da empresa, vivo por alguns minutos em um mundo só meu, uma mistura de sonhos e nostalgia, como se a paz fosse algo realmente alcançável. 

Lá em cima, 17 andares do chão, o sol esquentando meu corpo no outono, um silêncio incomum. Vejo as vidas, os carros seguindo, apressados ou não, mas não importa, o pouco som que chega, chega preguiçoso, tudo tão calmo. Tenho a sensação de que o mundo é diferente, de que as coisas podem ser doces e não pesadas, de que talvez levantar da cama não seja mais um fardo. 
Vejo as crianças correndo no pátio da escola, me lembro de quando era eu, e de como tudo parecia tão simples. Lembro de não ter medo do futuro, e de esperar muito mais dele também. Me sinto novamente com 13 anos, me sinto segura.
Olho ao longe e vejo o sol batendo nos prédios altos, vejo as diversas coberturas sempre vazias pelo Humaitá, me pergunto se as pessoas que moram ali são felizes, será que é isso que é preciso? Nunca vejo ninguém além dos funcionários limpando ou consertando alguma antena, por que será que ninguém aproveita um lugar assim pra fumar um cigarro ou pensar na vida? 
Olho pra mim e lembro de tudo que está errado em mim, mas ali em cima não importa, é quase como se não houvesse vida real, sou só eu e meus pensamentos sobre qualquer coisa que eu queira, sem obrigações, sem pessoas, quantos tragos eu quiser. 

Sobre a foto: Humaitá 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

- Em meio à crise

Tô aqui, numa mistura de crise de ansiedade com depressão, às vezes parece que uma coisa vem arrastando a outra, eu nem consigo entender mais nada.

Acordei cedo, 8hrs eu já realmente tinha acordado, com resquícios da noite passada, ainda me sentindo ansiosa, decidi assistir um pouco da minha série favorita pra tentar me distrair. Horas passaram e acabei adormecendo, mas sei que dormi muito mais porque eu quis dormir do que por sono. Acordei 12h, atrasada pro trabalho, mas nada de absurdo, se eu levantasse do sofá naquele momento e fosse tomar banho chegaria lá por volta de 14h, é um bom atraso, mas nada muito além do que eles estão acostumados. Mas não foi tão simples. Uma sensação de impotência terrível começou a tomar conta de mim, e eu simplesmente não conseguia sair do lugar. Toda vez que eu me perguntava o porquê, acabava me distraindo sem querer no instagram. 
Aí vem outra pá de terra pra me enterrar cada vez mais nesse buraco, todo mundo vivendo suas vidas normalmente e eu aqui, eu aqui achando que todos conhecem minhas inseguranças, que ninguém me respeita, porque sabem que sou uma insegura do caralho, na real ninguém deve nem se importar, mas minha cabeça não funciona assim nas crises. Como essa análise do instagram, por exemplo. Sei que na real ninguém é aquela felicidade e espontaneidade, mas porra essa confusão de sentimentos me faz acreditar em qualquer mentira. 
Continuei enterrada no sofá, sem "força" nem pra levantar e tomar a merda do remédio, nesse tempo, já eram 13hrs, mas ok Damine, você ainda consegue chegar lá por volta das 15hrs, é melhor se atrasar do que faltar, certo? Seu trabalho é importante, não é? Você tem um monte de coisas pra fazer lá hoje! Não! Não consigo pensar em pôr os pés fora de casa,  e daí, mais um tópico pra minha crise de ansiedade, eu deveria estar no meu trabalho, deveria cumprir com minhas obrigações, ninguém aguenta mais meus problemas psicológicos, ninguém na verdade nem entende, tudo parece uma desculpa pra não ir trabalhar, pra não ir pra festa que todos meus amigos vão estar, pra não terminar um projeto que eu tanto queria. E eu me pergunto "QUAL A PORRA DO MEU PROBLEMA?", todo mundo fazendo o que precisa ser feito e eu aqui chorando, até quando essa porra vai me soterrar? Até eu perder tudo?

Achei que isso estava perto do fim, agora vejo que não, toda a pressão explodindo nos meus ombros, eu não aguento mais essas dores, eu não aguento mais ocupar essa mente que não descansa nunca.





Sobre a foto: Eu esperava mais de você garota.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

- E se fosse vermelho?

Recebi um texto de uma das pessoas mais incríveis que tive o prazer de conhecer no ano passado, e chego a me espantar com a maneira que ele escreve sobre mim. Este não é o primeiro, e espero que também não seja o último, pois estas palavras são importantes pra mim.

"Ando pela Praia de Botafogo, 
em direção a Voluntários. 
passo em frente ao shopping, 
cruzo a Muniz Barreto,
chego na praça do metrô.
Ainda distante do Largo dos Leões,
eu chego a te procurar em cada rua
ou cada esquina desse bairro.
Cada sinal vermelho que noto em meu 
olhar periférico, torço para que seja
teus cabelos voando ao vento.
Lembro de Matrix. 
Morpheus me pergunta: pílula azul ou vermelha?
Certamente escolhi a azul.
Mas ainda sinto o cheiro da vermelha.
Ainda tenho a curiosidade, o desejo.
O mundo por trás do meu mundo de aparência
que sempre julguei ser real.
Passos, passos, curvas, buzinas, tropeços.
Ando, ando, ando e termino no mesmo lugar.
Mine, Mine, Mine. 
Poderia ser a palavra inglesa,
mas é só teu nome."


Sobre a foto: Foto de um dia maravilhoso com o autor. 


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

- Amor em muitas "missões"

Tento deixar tudo como está, fingir que já não penso mais, porém pensar já está impregnado em mim, é como tentar desviar o olhar ao partir. 

Sempre ouvi relacionarem amor a contos de fadas, mas vivendo, descobri que o amor é uma verdadeira fantasia épica, que te leva a beirar a morte várias vezes. Não é calmo e tranquilo como uma princesa esperando um beijo para ser acordada, é tumultuado, confuso e perigoso, como lutar contra um exército de orcs, requer vontade, muita vontade. Estive esse tempo todo, segurando com apenas uma mão, vivenciando toda essa turbulência, tentando ao máximo me manter ali, mas infelizmente você me soltou.

Caindo eu pude sentir toda a dor de existir só, de não ser mais a diferença, não ser o bom dia e o boa noite. E todas as tatuagens que fiz, nunca cessarão o anseio da minha carne pela dor que torce minha existência, torcendo como algo simples e frágil ao ponto de rasgar.

Então permaneço aqui, criando minhas ilusões já tão clichês, que também já não me enganam mais.


Sobre a foto: "O Nome do Vento", fantasia épica, preciso ler.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

- O futuro então...

O que falar sobre a vida? 
Mais de um ano sem dar as caras aqui, e nem consigo calcular quanta coisa mudou nesse tempo. 
Amor partindo, a sanidade deixando de existir, depressão cada vez mais presente, crises de ansiedade, remédios, bebidas, choros, gritos, um pouco automutilação, e nada de esperança ou ao menos objetivo de vida, nada.

Tentando empurrar com a barriga a minha existência, forjando objetivos de vida, criando um personagem para sobreviver e ainda assim assumindo meu papel real, meu fracasso visível que eu já cansei de negar. Então me apresento assim para parte do mundo, todo este fracasso é meu, se vitimizar já não faz mais parte do plano.

Por outro lado, continuo caminhando com falsos objetivos, que por mais que contenham muito amor, já não satisfazem aquela coisa chamada alma, pois na verdade, tudo que eu queria era não existir mais.

- Faculdade de Jornalismo;
- Winter Place;
- Fotografia;


Prometo voltar.

Sobre a foto:  Solidão define.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

- O que restou


Sempre um sorriso ao me receber, 

Ainda sinto a fumaça da fogueira queimar em mim, 
O cheiro impregnado no meu cabelo.
Os domingos tão nossos,
As manhãs de segunda dolorosas,
Há vontade de estar com você.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Às três da manhã


Hoje a ideia é vaga e nada sã.
É um esboço da minha realidade, não mais que um rabisco mal feito, sem jeito, um igual a tantos.
Tantos que sofrem, ninguém mais sorri.

Estão todos iguais, tentando desesperadamente se destacar pela diferença, sem saber, lutando pra ser só mais um.

Não amam mais, agora todos sofrem por amor, se lamentam, se martirizam, se matam por ele e todos sofrem demais, uma dor que ninguém é capaz de compreender, que ninguém sente igual, a nossa dor é sempre maior.

Sinceramente, sinto saudade do piegas, do romance clichê, declarações melosas. Mas hoje, só há dor, essa é a última moda, a dor se tornou cool, e a autenticidade (é, estou de volta à essa questão) da personalidade humana e a espontaneidade dos sentimentos que deveria ser essencial, se perde em meio à toda necessidade de ser mais que alguém, sendo só mais alguém.


Sobre a foto: Sobre as cartas de amor, que já não existem mais.

quarta-feira, 12 de março de 2014

O Cárcere do Amor

Parei me perguntando, do que se trata o amor, do porquê as pessoas se relacionam e tudo mais.

Talvez à 20 anos atrás, minhas perguntas parecessem um tanto estranhas, sem sentido, como se eu fosse apenas algum louco que desacredita do amor, e talvez para você que está lendo, também pareça isso. Mas assim como o conceito de certo e errado mudou com relação a muitas questões da nossa sociedade, isso vem mudando e quase ninguém percebe, porém é simples de enxergar.

Pense no relacionamento de 80% dos seus amigos do Facebook, quantos deles duram mais que 5 anos, por exemplo? Quantos deles duram com o amor ali, cheio de vida? Podem ser minhas apenas decepções que tomam partido dessa solitária discussão, mas eu realmente desacredito do amor contemporâneo, na realidade, até acredito que exista, mas são tão raros de se ver quanto casamentos duradouros, as pessoas parecem não se importar com sentimentos, só interessam status, o que você pode ganhar com isso ou não e todo aquele espírito de companheirismo, já não existe mais. 

Então tudo isso é apenas para expressar um ponto de vista que estava guardado em mim, e talvez também seja um apelo desesperado, para que não destruam o amor, deixe-o florescer, crescer, e que seja verdadeiro, assim poderemos amar ao menos como os nossos pais.

Sobre a foto: Por quem você seguraria o peso do céu?

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Who Says?

Todo mundo fala mal desses novos sucessos adolescentes, mas eu estava assistindo Multishow essa semana e me deparei com um clip da Selena Gomez. De início eu pensei "ah, Selena Gomez =|", mas eu parei para reparar na letra da música, e aí eu percebi a diferença.
A letra falava sobre acreditar que você é boa, acreditar que é bonita, simplesmente acreditar em você. Eu percebi que se eu tivesse ouvido aquilo aos meus 15 anos, talvez tivesse feito uma grande diferença na minha vida, talvez eu não fosse tão complexada assim, sei lá, só sei que achei muito bacana saber que os adolescentes tem essa influência tão positiva hoje em dia. É muito legal saber que seu ídolo, por mais que só queira ganhar dinheiro, está cantando algo positivo, te passado uma idéia boa sobre a vida.
Bom, fico feliz por isso, e também fico por aqui!



Sobre a foto: O assunto diz tudo!




quarta-feira, 28 de março de 2012

- De tempos em tempos


Nunca consigo manter um padrão aqui, talvez eu não consiga manter o padrão em tudo, aliás acho que nada deveria ter um padrão, ou se tiver, deve ser superado, pois assim se torna mais interessante ou menos tedioso.
Eu teria muita coisa a dizer sobre a minha vida, mas também acho que seria só mais um padrão, por se tratar de um blog pessoal, e enquanto escrevo isso me pergunto o que seria sair do padrão aqui, talvez citar algum assunto polémico? Ou quem sabe dar uma opinião bruta e drástica sobre algum tabu? Ou simplesmente terminar isso aqui como se nem tivesse começado...

Sobre a foto: Courage My Love (banda boa pra kct) \m/

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

- A minha mente





















Um calafrio na espinha, a lágrima que caí sem eu perceber, a dor que aperta o peito e faz faltar o ar... O descontrole, a histeria, o choro incessável.

E então eu encontro o meu lado negro, e me alimento dele (até a crise passar).