quarta-feira, 22 de maio de 2019

- Os que se alimentam da dor


Preciso muito falar sobre esse assunto, talvez o texto fique grande, mas não posso deixar passar.

Existem pessoas que se alimentam do que está quebrado em você, guarde isso.
Fique claro que quando digo "quebrado" é subjetivo, não significa algo propriamente ruim, e não tenho autoridade ou competência pra dizer o que é certo ou errado. Falo sobre mim e o que estava quebrado na minha vida por muito tempo.

Tenho um amigo da época de escola, lá pelos meus 14 anos. Ele sempre foi cristão praticante, conciliando muito bem com seus gostos musicais mundanos e a fixação pelo mundo nerd, foi inclusive o que nos aproximou. Eu sempre fui uma garota meio quebrada, como já contei várias vezes sobre depressão, e por isso nutria um gosto pela autodestruição. 
Essa autoquíria se desenvolvia de diversas formas, sendo elas a própria mutilação, abuso de drogas (álcool e cigarro), depreciação pessoal pública constante e libertinagem, e aqui no que se refere a libertinagem preciso elucidar:

Não vejo a libertinagem ou promiscuidade como algo condenável, pra mim isso fazia parte de uma "mutilação", pois essa era a sua função. Eu não me relacionava com várias pessoas de forma livre e sem pudor somente por querer. Diversos fatores me levavam a isso, e dentre eles estavam a necessidade de aceitação, carência, crença de que meu papel como mulher era de servidão ao prazer masculino, e no fim me ferir de mais uma forma.

Em nossas conversas, sempre ficou clara essa rebeldia para comigo mesma. Era algo que eu chegava a ter orgulho de expressar. Tinha a sensação de que a minha forma de viver a vida era a correta, me arriscando a buscar todos os prazeres possíveis, sem perceber que era uma doença, que eu era vítima e que na verdade não entendia nada do que estava acontecendo.
Por vezes tentei convencê-lo a se arriscar comigo, e em quase todas ele cedeu. Éramos adolescentes ainda. 

O tempo foi passando, e eu já adulta e ciente da depressão, continuava vivendo uma vida destrutiva, as coisas tinham mudado pra pior, já que ser adulta me permitia fazer o que eu quisesse. 
E foi então que eu comecei a entender.
Ele sempre me procurava de tempos em tempos, e as condições eram sempre as mesmas: Tinha terminado um namoro; dado um tempo; estava afastado da igreja; andava se arriscando. Não demorei pra perceber esses padrões, mas demorei pra aceitar que isso estava acontecendo. Toda vez que essa vontade de se destruir passava, e ele voltava a sua vida normal, eu era excluída ou bloqueada em todas as redes sociais, como se eu fosse algo a se esconder, esquecer. Eu via tudo isso, mas nunca mexeu comigo ao ponto de buscar saber o porquê, afinal eu queria a oportunidade pra me destruir mais uma vez, e isso poderia vir de qualquer pessoa. Mas apesar dessa relação inconstante, acreditava sermos amigos. Até que tivemos nossa última conversa, e tudo ficou claro.

2019 e eu estou melhor. Tenho minhas crises, mas no geral sigo bem, posso dizer que sou feliz. E depois de um ano sem nos falarmos ele veio me procurar. Disse que estava com saudade, que lembrou de mim, que estava arriscando, que "só faltou fumar maconha". Eu entendi. Ele queria minha promiscuidade, minha doença, o eu quebrado. Ainda tô quebrada, mas me preocupo muito mais em consertar do que alimentar essa dor. Então me perguntou como eu estava, e respondi da melhor maneira possível. Falei sobre o quanto estou feliz, sobre tudo que ando fazendo e amo, sobre os vícios que larguei, sobre minhas conquistas, realmente cantei minha vitória, pequena porém muito significativa, e fui respondida da forma como eu já esperava. 
Não houve resposta.

Sobre a foto: Dos que se alimentam da dor.



terça-feira, 30 de abril de 2019

- Qual o sentido da vida?

A depressão me afundou por muitos anos, lembro de achar que não teria fim, já não lembrava como era não conviver com ela, cheguei até a pensar que ela sempre foi presente. Ela trazia consigo  ou talvez fossem pequenas partes que formavam o monstro  questionamentos, muitos deles sobre o sentido da vida. A minha vida não tinha sentido ou direção, eu não sabia porquê estava aqui e o que precisava fazer, até o dia que desisti de tentar entender e aceitei como meu sentido da vida "ser feliz". Simplesmente entendi que deveria fazer tudo que fosse possível para fazer bem a mim, para ser feliz, aproveitar cada momento ao máximo e isso foi libertador.
Ela então foi partindo, mas sempre deixando uma pontinha pra que eu não esquecesse que ela está por aí e que sempre volta, sinto como uma doença sem cura, você alivia, passa a conseguir conviver com ela, mas no menor deslize ela se mostra presente. Entendi que aceitar essa condição não me faz mais fraca, na verdade tenho a sensação de que envelheci ao menos 10 anos nessa história toda. Fiz questionamentos que sozinha talvez eu não fizesse, ela me fez ver que a vida não é só bonita, tirou o filtro dos filmes e novelas, me trouxe a realidade. É bom enxergar a vida pelo lado ruim, é bom olhar através dos olhos de um pessimista de vez em quando.
Agora cheguei a um ponto em que me considero feliz, faço tudo que posso para me agradar, tenho vivido coisas que sempre sonhei. Provei que sou capaz de fazer coisas que eu jurava que não conseguiria e que por muitas vezes discuti para provar que eu realmente era incapaz. Não sou incapaz, e percebi que se eu consegui isso posso conseguir qualquer coisa. Porém retornei a um antigo questionamento: Qual é mesmo o sentido da vida?

Por mais feliz que eu seja agora, nada parece fazer muito sentido e o sentido que encontrei pra minha vida já não satisfaz. 
Será que em algum momento fez? Ou eu só acreditava que fosse por ainda não tê-lo alcançado? 
Será que sou uma criança frustrada descobrindo que alcançar objetivos aqui não significa alcançar a plenitude? Como alcançar a plenitude?
Independente de tudo, acredito que devo viver essa fase, que mais uma vez fará parte do meu amadurecimento. 
Apenas espero que passe.

Sobre a foto: Talvez seja o sentido de alguém, alguns dias é o meu também.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

- Quantos tragos eu quiser

Sempre me falam pra eu parar de fumar, concordo que eu deveria, mas todos os dias quando vou ao terraço da empresa, vivo por alguns minutos em um mundo só meu, uma mistura de sonhos e nostalgia, como se a paz fosse algo realmente alcançável. 

Lá em cima, 17 andares do chão, o sol esquentando meu corpo no outono, um silêncio incomum. Vejo as vidas, os carros seguindo, apressados ou não, mas não importa, o pouco som que chega, chega preguiçoso, tudo tão calmo. Tenho a sensação de que o mundo é diferente, de que as coisas podem ser doces e não pesadas, de que talvez levantar da cama não seja mais um fardo. 
Vejo as crianças correndo no pátio da escola, me lembro de quando era eu, e de como tudo parecia tão simples. Lembro de não ter medo do futuro, e de esperar muito mais dele também. Me sinto novamente com 13 anos, me sinto segura.
Olho ao longe e vejo o sol batendo nos prédios altos, vejo as diversas coberturas sempre vazias pelo Humaitá, me pergunto se as pessoas que moram ali são felizes, será que é isso que é preciso? Nunca vejo ninguém além dos funcionários limpando ou consertando alguma antena, por que será que ninguém aproveita um lugar assim pra fumar um cigarro ou pensar na vida? 
Olho pra mim e lembro de tudo que está errado em mim, mas ali em cima não importa, é quase como se não houvesse vida real, sou só eu e meus pensamentos sobre qualquer coisa que eu queira, sem obrigações, sem pessoas, quantos tragos eu quiser. 

Sobre a foto: Humaitá 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

- Em meio à crise

Tô aqui, numa mistura de crise de ansiedade com depressão, às vezes parece que uma coisa vem arrastando a outra, eu nem consigo entender mais nada.

Acordei cedo, 8hrs eu já realmente tinha acordado, com resquícios da noite passada, ainda me sentindo ansiosa, decidi assistir um pouco da minha série favorita pra tentar me distrair. Horas passaram e acabei adormecendo, mas sei que dormi muito mais porque eu quis dormir do que por sono. Acordei 12h, atrasada pro trabalho, mas nada de absurdo, se eu levantasse do sofá naquele momento e fosse tomar banho chegaria lá por volta de 14h, é um bom atraso, mas nada muito além do que eles estão acostumados. Mas não foi tão simples. Uma sensação de impotência terrível começou a tomar conta de mim, e eu simplesmente não conseguia sair do lugar. Toda vez que eu me perguntava o porquê, acabava me distraindo sem querer no instagram. 
Aí vem outra pá de terra pra me enterrar cada vez mais nesse buraco, todo mundo vivendo suas vidas normalmente e eu aqui, eu aqui achando que todos conhecem minhas inseguranças, que ninguém me respeita, porque sabem que sou uma insegura do caralho, na real ninguém deve nem se importar, mas minha cabeça não funciona assim nas crises. Como essa análise do instagram, por exemplo. Sei que na real ninguém é aquela felicidade e espontaneidade, mas porra essa confusão de sentimentos me faz acreditar em qualquer mentira. 
Continuei enterrada no sofá, sem "força" nem pra levantar e tomar a merda do remédio, nesse tempo, já eram 13hrs, mas ok Damine, você ainda consegue chegar lá por volta das 15hrs, é melhor se atrasar do que faltar, certo? Seu trabalho é importante, não é? Você tem um monte de coisas pra fazer lá hoje! Não! Não consigo pensar em pôr os pés fora de casa,  e daí, mais um tópico pra minha crise de ansiedade, eu deveria estar no meu trabalho, deveria cumprir com minhas obrigações, ninguém aguenta mais meus problemas psicológicos, ninguém na verdade nem entende, tudo parece uma desculpa pra não ir trabalhar, pra não ir pra festa que todos meus amigos vão estar, pra não terminar um projeto que eu tanto queria. E eu me pergunto "QUAL A PORRA DO MEU PROBLEMA?", todo mundo fazendo o que precisa ser feito e eu aqui chorando, até quando essa porra vai me soterrar? Até eu perder tudo?

Achei que isso estava perto do fim, agora vejo que não, toda a pressão explodindo nos meus ombros, eu não aguento mais essas dores, eu não aguento mais ocupar essa mente que não descansa nunca.





Sobre a foto: Eu esperava mais de você garota.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

- E se fosse vermelho?

Recebi um texto de uma das pessoas mais incríveis que tive o prazer de conhecer no ano passado, e chego a me espantar com a maneira que ele escreve sobre mim. Este não é o primeiro, e espero que também não seja o último, pois estas palavras são importantes pra mim.

"Ando pela Praia de Botafogo, 
em direção a Voluntários. 
passo em frente ao shopping, 
cruzo a Muniz Barreto,
chego na praça do metrô.
Ainda distante do Largo dos Leões,
eu chego a te procurar em cada rua
ou cada esquina desse bairro.
Cada sinal vermelho que noto em meu 
olhar periférico, torço para que seja
teus cabelos voando ao vento.
Lembro de Matrix. 
Morpheus me pergunta: pílula azul ou vermelha?
Certamente escolhi a azul.
Mas ainda sinto o cheiro da vermelha.
Ainda tenho a curiosidade, o desejo.
O mundo por trás do meu mundo de aparência
que sempre julguei ser real.
Passos, passos, curvas, buzinas, tropeços.
Ando, ando, ando e termino no mesmo lugar.
Mine, Mine, Mine. 
Poderia ser a palavra inglesa,
mas é só teu nome."


Sobre a foto: Foto de um dia maravilhoso com o autor. 


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

- Amor em muitas "missões"

Tento deixar tudo como está, fingir que já não penso mais, porém pensar já está impregnado em mim, é como tentar desviar o olhar ao partir. 

Sempre ouvi relacionarem amor a contos de fadas, mas vivendo, descobri que o amor é uma verdadeira fantasia épica, que te leva a beirar a morte várias vezes. Não é calmo e tranquilo como uma princesa esperando um beijo para ser acordada, é tumultuado, confuso e perigoso, como lutar contra um exército de orcs, requer vontade, muita vontade. Estive esse tempo todo, segurando com apenas uma mão, vivenciando toda essa turbulência, tentando ao máximo me manter ali, mas infelizmente você me soltou.

Caindo eu pude sentir toda a dor de existir só, de não ser mais a diferença, não ser o bom dia e o boa noite. E todas as tatuagens que fiz, nunca cessarão o anseio da minha carne pela dor que torce minha existência, torcendo como algo simples e frágil ao ponto de rasgar.

Então permaneço aqui, criando minhas ilusões já tão clichês, que também já não me enganam mais.


Sobre a foto: "O Nome do Vento", fantasia épica, preciso ler.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

- O futuro então...

O que falar sobre a vida? 
Mais de um ano sem dar as caras aqui, e nem consigo calcular quanta coisa mudou nesse tempo. 
Amor partindo, a sanidade deixando de existir, depressão cada vez mais presente, crises de ansiedade, remédios, bebidas, choros, gritos, um pouco automutilação, e nada de esperança ou ao menos objetivo de vida, nada.

Tentando empurrar com a barriga a minha existência, forjando objetivos de vida, criando um personagem para sobreviver e ainda assim assumindo meu papel real, meu fracasso visível que eu já cansei de negar. Então me apresento assim para parte do mundo, todo este fracasso é meu, se vitimizar já não faz mais parte do plano.

Por outro lado, continuo caminhando com falsos objetivos, que por mais que contenham muito amor, já não satisfazem aquela coisa chamada alma, pois na verdade, tudo que eu queria era não existir mais.

- Faculdade de Jornalismo;
- Winter Place;
- Fotografia;


Prometo voltar.

Sobre a foto:  Solidão define.